Gosto de ler este senhor, por vezes controverso e de quem às vezes discordo. Mas leio-o e gosto.
Desta vez li, e sem nunca ter pensado desta forma, acho que é mesmo isto quase na sua totalidade:

"Sabemos que vamos morrer e que estaremos mortos tanto tempo como não estivemos à espera para nascer.
É
banal dizer-se que a vida é um intervalo ou uma passagem ou um
instante. Não é. A vida é uma excepção generosamente comprida à regra
nem triste nem alegre da inexistência.
A vida está para o nada
como o planeta Terra está para o sistema solar a que pertence. Sim, pode
haver vida noutros planetas. Mas será uma vida que vale a pena viver?
Ou que apenas vale a pena estudar?
Sabemos que temos muito tempo
de vida: muito mais do que precisamos. O direito à preguiça e à
procrastinação está consagrado na nossa vida e faz logo, à partida,
parte dela.
Sabemos que somos obrigados a pensar, errada e
repetidamente, que o tempo em que estamos vivos é importante. E que as
nossas noções de declínio ("dantes é que era bom; os jovens de hoje não
sabem o que perdem") são lugares-comuns de todas as gerações antes de
nós.
Sabemos que não há ninguém que não envelheça, desde o bebé
que nasceu neste segundo até ao velho que, por ter morrido agora mesmo,
deixou de envelhecer.
A vida é uma eternidade, por muito que seja
bonito fingir o contrário. Chega e sobra para o que queremos fazer. A
oportunidade de existir é-nos oferecida. O resto é merda ou ouro.
Sabemos
que estamos cá para cá estar. E que não haverá segunda oportunidade. O
luxo é saber que podemos enganar-nos. É saber que podemos perder tempo. O
tempo é o luxo que a nossa vida não só desrespeita como desmerece."
Miguel Esteves Cardoso
Estas são as palavras que me fazem sentir mais rica, estes são os momentos em que me sinto priveligiada!